Apesar dos esforços do CEO da Apple, Tim Cook, em afirmar que a empresa não ficou para trás da concorrência em relação à evolução das inteligências artificiais, é evidente que a Apple chegou por último no jogo.

Anunciada no WWDC24, o primeiro dispositivo da empresa a conter a Apple Intelligence embutida no sistema operacional foi o iPhone 16, por meio da atualização do iOS 18.1. Isso gerou confusão entre os consumidores que compraram o iPhone 16 imaginando que o aparelho já teria o serviço de IA de fábrica. Muitas pessoas compraram o aparelho com a expectativa de que ele teria essa funcionalidade imediatamente, mas ela só foi disponibilizada meses depois, via atualização. Esse talvez tenha sido o primeiro erro da empresa: criar falsas expectativas nos consumidores, com relação a um lançamento. A Apple Intelligence tem diversos recursos avançados, mas, no uso diário, poucos deles fazem uma diferença significativa, neste texto vamos ver o que deu certo e o que deu errado na inteligência artificial anunciada pela empresa.
O que deu certo?
- CleanUp: Uma função que permite ao usuário remover objetos indesejados de imagens, semelhante ao que já existe nos aparelhos Pixel 6 do Google e Object Eraser da Samsung. Antes, nos aparelhos da Apple, era necessário baixar um software de terceiro para ter acesso a esse recurso.
- Visual Intelligence: Um recurso exclusivo do iPhone 16, capaz de traduzir textos, reconhecer plantas e outros objetos. Ele é ativado pelo botão de controle do aparelho, tornando finalmente esse botão útil. Funciona de maneira similar ao Google Lens – é curioso que a Apple tenha demorado tanto para integrar uma funcionalidade como essa no iOS, e talvez nem precisasse de uma inteligência artificial para fazer isso.
- Spotlight do macOS e Siri: A integração nativa da Apple Intelligence com o macOS e a Siri tornou a tecnologia bastante acessível aos usuários dos computadores da empresa. É possível acessar funcionalidades de diversos locais do macOS, o que torna o uso muito prático. O antigo Spotlight se tornou mais completo e a Siri mais intuitiva, porém ainda muitas oportunidades para melhorias.
O que deu errado?
- Idiomas: O fato de a Apple Intelligence ainda não ter suporte para outros idiomas indica que ela ainda está em processo de treinamento. Isso significa que ainda não está tão bem desenvolvida em relação à concorrência, que já está disponível em diversos idiomas. A Apple Intelligence ainda não está disponível em Português do Brasil. Se o seu aparelho não estiver configurado para inglês, a funcionalidade não ira aparecer.
- Image Playground: O novo aplicativo para criação de imagens parece ter foco apenas no público infantil. Todos os recursos de criação de imagem da Apple Intelligence ainda são muito básicos, e a IA tem muita dificuldade em criar imagens com qualidade razoável para serem de fato utilizadas. O aplicativo parece ter como objetivo apenas entreter. Se você acha que o MidJourney tem dificuldades com dedos, dentes e cabelos, saiba que a Apple Intelligence lida de forma muito pior.
- Integração com o macOS: O sistema operacional dos computadores da Apple possui um recurso chamado Automator, presente desde o antigo macOS, que automatiza diversos processos no computador, como a criação de apresentações, tratamentos básicos de imagem, renomeação de múltiplos arquivos, conversões, entre outros. Foi decepcionante perceber que a Apple Intelligence ainda não está integrada ao Automator, pois isso seria extremamente útil para aumentar a produtividade em tarefas repetitivas. A IA da Apple ainda precisa ser treinada para entender melhor as funcionalidades nativas do macOS.
- Muito marketing, pouca entrega: O anúncio do produto de inteligência artificial da Apple gerou grande repercussão no mercado, criando a expectativa de que ele se tornaria rapidamente um dos principais produtos do segmento. Porém, não foi isso o que aconteceu. A agressividade do marketing em mostrar as funcionalidades do produto ainda não corresponde ao mínimo de qualidade esperado para que ele se torne realmente útil no uso diário.
Sabemos que o processo de criação e treinamento de uma inteligência artificial pode levar tempo para alcançar um nível aceitável de entrega de resultados. Porém, para não ficar atrás na competição, é possível que a Apple tenha colocado no mercado um produto inacabado.
A Apple Intelligence ainda está longe de ser um produto que realmente fará diferença na vida dos usuários de iPhones e Macs. Contudo, a iniciativa de integrá-la ao sistema operacional dos aparelhos é sem dúvida algo com grande potencial, especialmente no sentido de tornar a produtividade mais fácil e centralizada. Enquanto isso, esperamos por uma versão 2.0 mais ampla e útil.